Porque você precisa ler o livro 15 Dias

Henrique Barroso

Advogado, ativista LGBTI, apaixonado por cultura pop e por autoconhecimento. Acredito que dentro de cada um de nós está a inspiração e a força para sermos quem queremos ser.

Sabe aquele tipo de livro que você começa a ler e não consegue parar? Que você termina em dois dias e queria que tivesse mais 500 páginas? Vim trazer um desses pra vocês! Ainda, para atender a pedidos de vários amigos que gostariam e conhecer mais livros que tenham temática LGBTI, escolhi este livro que fala sobre a vida de um adolescente gay.

“Eu sou gordo. Eu não sou “gordinho” ou cheinho ou fofinho. Eu sou pesado, ocupo espaço e as pessoas me olham torto na rua. Sei que existem pessoas no mundo com problemas muito maiores que os meus, mas eu não costumo pensar no sofrimento dos outros quando estou sofrendo meu próprio sofrimento na escola.”

O livro “Quinze Dias”, de autoria de Vitor Martins, fala sobre Felipe, um adolescente que se auto intitulo já na primeira página como gordo e gay. Diante do bullying que Felipe sofre no colégio, ele se torna um adolescente isolado e antissocial, que não aceita o seu corpo e não confia nos outros. Infelizmente, o ambiente escolar é justamente o local onde todas essas inseguranças se intensificam.

Por isso, Felipe está extremamente ansioso para suas férias de Julho! Ele não vê a hora de ver vários vídeos no Youtube e se jogar no netflix, livre de valentões e de pensamentos depreciativos. Contudo, suas expectativas se frustram quando sua mãe aceita hospedar Caio em sua casa, o vizinho do 57 e a paixão platônica de infância de Felipe.

quinze dias livroQuando comprei o livro, tinha o receio que ele fosse apenas uma história sobre um menino gay e sua jornada de auto aceitação, seguida da aceitação de sua família que antes era preconceituosa. Não que isso não seja uma história que mereça ser contada e que aflija milhões de pessoas pelo mundo, mas eu já vi ela vezes demais em vários filmes. Eu queria uma história onde sim, o personagem fosse gay, mas que mostrasse que não é só a sexualidade que define uma pessoa.

Qual não foi minha surpresa ao ler o livro e já nas primeiras páginas me encontrar sorrindo de orelha a orelha e me sentindo amigo de Felipe. Felipe é uma pessoa espontânea, inteligente, empática, engraçadíssima e com certeza maduro demais para sua idade!

“Bundas inesperadas no cinema. Melhor do mundo: bunda do Hugh Jackman em X-men: dias de um futuro esquecido. Pior do mundo: Bunda desnutrida do Matt Damno em Perdido em Marte”

A história do livro, que fala sobre este período de férias e a convivência entre Caio e Felipe, é narrada por Felipe e é repleta de referências do mundo POP, com um humor sutil e cheio de reflexões que incentivam a autoaceitação.

“Eu nunca uso regatas. Não gosto de mostrar meus braços em público. Sinto como se eu tivesse sido atacado por dois hipopótamos…”

Para mim, a parte mais interessante é que o livro reflete a realidade: ninguém acorda um belo dia e pensa “verdade, melhor me aceitar como eu sou”. As pessoas são inseguras! Passar a se aceitar é algo muito difícil e que pode requerer a ajuda de amigos e familiares. Por isso, percebemos a luta mental que Felipe trava consigo mesmo, a ansiedade que isso gera e como pessoas ao seu redor o ajudam a ver a vida sob uma nova perspectiva, seja por meio de pequenas atitudes ou de pessoas que ele passa a seguir como exemplos.

“Mesmo sendo magra, Melissa também tem suas inseguranças. Então a magreza não é um prêmio que se ganha na loteria da vida e garante felicidade eterna.”

Espero que esse texto tenha convencido vocês a lerem esse livro, porque eu tenho certeza que vocês não vão se arrepender da leitura. Eu comecei a ler com um pezinho atrás e terminei em dois dias.

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